Usabilidade para quem?
Muito se discute sobre web 2.0, tableless, AJAX e CSS tudo isso pensando em SEO (Search Engine Optimization). Existe uma infinidade de desenvolvedores copiando fórmulas que funcionam bem para a indexação de conteúdo no Google e este motivo basta para suas pretensões. Esta abordagem é eficiente para a visibilidade do seu site em pesquisas, mas quando o objetivo é criar um sistema web, quantas vezes você pensou nas necessidades do cliente final antes de adotar essas tecnologias. Não que elas sejam ruins mas o processo não é tão automático já que não estamos querendo agradar o Googlebot e sim pessoas que trabalham em rotinas repetitivas e cansativas.
Nos primórdios do desenvolvimento web, a organização das informações era muito precária, só se pensava em publicar algum conteúdo na Internet. Nessa época ninguém se preocupava com tags H1 ou URLs amigáveis. Quando o Google surgiu seu grande diferencial foi aplicar um ranqueamento de texto eficiente em conteúdos caóticos gerando bons resultados. Algum tempo depois, o Google tornou-se referência pesquisas na internet, passando então da posição desconfortável de “resolvedor de problemas” para “criador de problemas” no bom sentido. Explicando, a missão do Google é: “encontrar/organizar a informação do mundo”, este é o problema que se propuseram resolver. É óbvio que esta missão é muito complexa, eu diria até “romântica”, mas ela serve muito bem como motivação para buscar a melhoria continua do seu serviço e cativar os usuários.
O mundo reconheceu esse esforço e passou a adotar o Google como o mentor, o guru de toda a informação, e foi a partir desse momento que a empresa deixou de ser uma “resolvedora” e tornou-se uma “criadora de problemas”. Agora na posição confortável de líder, passou a ditar as regras de como o desenvolvedor deve organizar a informação nos seus projetos para melhor se adequar a indexação do seu sistema de pesquisas e indexação. Não acho que isso seja ruim, já que jogar toda a responsabilidade da organização das informações (sem nenhuma regra) para uma empresa, mesmo sendo o todo poderoso Google, não faz sentido. Em nossas consciências sabemos que a organização de toda a informação do mundo passa necessariamente pela adoção de melhores práticas de desenvolvimento.
Resumindo, o Google está mandando no pedaço e ditando as regras, outras empresas que quiserem uma fatia desse mercado precisam copiar estas regras em seus sistemas de indexação, mas ainda lhes falta o principal, a confiança convertida em acessos dos usuários. Os desenvolvedores por sua vez estão assumindo a sua responsabilidade no desafio e alimentando cada vez mais a liderança do Google adequando-se as regras definidas como “boas práticas”. Muito se fala em monopólio como consequência dessa onda, mas o fato é que entrando nessa todos saem ganhando, e até que surja algo melhor = mais lucrativo para os clientes/usuários, todos seguirão as melhores práticas apontadas pelo líder.
Esclarecidos os motivos que nos levam cegamente a seguir os “padrões web” trago para reflexão o seguinte: Até que ponto estamos, nós desenvolvedores, pensando em usabilidade para o cliente final. Adotar tecnologias e padrões é muito bom para o Googlebot, mas para o João, o Pedro e a Maria? Eles estão conseguindo comprar o seu produto? Conseguem usar o sistema sem perder tempo? Quanto tempo leva para alguém que nunca viu o seu site/sistema conseguir fazer o que você deseja que ele faça? Quantos testes de usabilidade com seres humanos você faz antes de publicar um novo projeto? Todas estas perguntas nos levam ao fato de que não adianta nada trazer paraquedistas para o seu portal, oriundos do trabalho árduo de SEO, para depois perdê-los porque o botão de confirmação de compra não está aparecendo com destaque suficiente.
Se isso fez algum sentido para você, leia mais sobre testes de usabilidade aqui…
abs.
Juliano
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Muito bom mesmo… eu realmente penso igual a você e gostei de saber que existem outros que se preocupam com o bom e velho usuário do sistema.